Todo ano a gente gosta de comemorar o Dia dos Namorados em algum restaurante diferente, e dessa vez a escolha foi o Les Présidents, um dos endereços do chef Erick Jacquin, conhecido por ser jurado do MasterChef Brasil. Já tínhamos passado por outras casas do chef antes, mas o Les Présidents era inédito para o Felipe e a expectativa para a visita era alta. Neste artigo contamos como foi o atendimento, os pratos que provamos e se a experiência valeu o investimento.
A reserva e o dress code
Antes mesmo de chegar ao restaurante, a mensagem de confirmação da reserva já deixava claro que o ambiente seria mais formal: nada de boné, shorts, regata ou chinelo. Como tínhamos acabado de voltar de uma viagem para Santiago e não deu tempo nem de cuidar do visual com calma, ficamos um pouco intimidados haha.
O ambiente do Les Présidents
Chegamos por volta das 15h, num horário que imaginávamos mais vazio, mas encontramos a casa praticamente lotada. A reserva garantiu nosso lugar sem precisar enfrentar fila, o que é um ponto positivo importante em datas concorridas como o Dia dos Namorados.
A decoração chamou atenção logo de cara: tons fortes de vermelho, estampas de onça e quadros espalhados pelo salão, com uma estética que lembra um pouco o estilo parisiense mais exuberante presente em outras casas do chef. É um visual “over”, mas que funciona. As pessoas acham cafona, mas de modo geral, achamos “confortável”, mesmo sem ser o tipo de decoração que a gente teria em casa.
A confusão do menu de dia dos namorados
Um dos pontos que mais gerou confusão durante a visita foi sobre o menu do Dia dos Namorados. O restaurante havia divulgado nas redes sociais um menu fechado especial pela data, ao custo de R$ 655,00 por pessoa. Mas, ao chegar, o garçom mencionou que só tinha cardápio executivo por R$ 185,00, com opções que, no fim das contas, agradaram ainda mais do que as do menu temático.
Achamos estranho termos perguntado por whatsapp se a reserva era para o menu de dia dos namorados e o restaurante não ter aquele menu divulgado na campanha, ao nosso ver foi uma falha de organização que pareceu refletir a correria de última hora em torno da data.
As entradas: do folhado de cogumelos ao steak tartare
Antes mesmo das entradas oficiais, chegou uma cesta de couvert (R$ 41) com alguns destaques: um folhadinho recheado de cogumelos, leve e amanteigado; uma espécie de Carolina salgada (que parecia um pão de queijo à primeira vista, mas tinha recheio cremoso); e uma ricota leve com azeite, que conquistou até o Felipe que normalmente não é fã de cogumelo.
Entre as entradas do menu executivo, provamos duas: o steak tartare e a mandioca crocante.
Steak tartare
O Cassiano achou bem temperado, com notas marcantes de molho inglês e mostarda, o tartare veio acompanhado de uma fritura crocante por cima, uma espécie de massinha com toque de queijo, ideal para fazer a combinação clássica de carne com algo crocante. A experiência lembrou outra versão do mesmo prato já provada em outro restaurante do chef, e ficou entre os destaques da refeição.
Mandioca crocante com maionese de camarão
Mesmo sendo um prato simples na origem, a mandioca surpreendeu. A maionese de camarão, combinada com ervilha, cenoura e um toque de azeite por cima, criou um conjunto de sabores que nenhum dos dois esperava gostar tanto, foi uma combinação inusitada que funcionou muito bem, mesmo para quem normalmente não é fã de mandioca.
Pratos principais: arroz de cogumelos com prime steak e o rigatone
Para os principais, as escolhas foram bem diferentes entre si e os resultados também.
Prime steak bovino com arroz de cogumelo, bacon e tutano
O prato veio com um arroz no estilo risoto, ao dente, com sabor intenso de bacon e cogumelos grandes. O arroz em si estava perfeito, mas a carne a gente não curtiu tanto, ela estava até bem temperada, mas com fibras que dificultaram um pouco o corte.
Rigatone com rabada
Esse foi o pioral da refeição. O prato, que deveria ser uma massa, chegou com uma consistência mais próxima de uma sopa do que de um rigatone tradicional. Era um caldo mais ralo do que o esperado para um ragu de rabada. O sabor era presente, mas considerado “lavado”, aquém da complexidade esperada de um prato com a assinatura de um jurado do Masterchef. A carne de rabada, gordurosa por natureza, contribuiu para essa sensação de caldo mais líquido. No fim, a nossa opinião é que o ideal seria substituir o corte por uma carne mais magra, tipo paillard, para ficar mais próximo de um risoto e elevar o prato.
Sobremesas: choux de pistache e mousse de chocolate
Para fechar, vieram duas sobremesas do menu executivo.
O choux cream de pistache, com compota de morango, tinha visual bonito e recheio generoso, mas decepcionou no sabor: não havia gosto de pistache perceptível, mesmo com a cor característica do ingrediente. Se falassem que era um choux de baunilha, estaria perfeito.
A mousse de chocolate, por sua vez, trouxe uma base que lembrava um brownie por baixo, com notas de casca de laranja. Comparada a versões já provadas em outros lugares, pareceu menos intensa em chocolate, mais similar a um merengue achocolatado do que uma mousse aerada e encorpada.
A conta: vale o preço no Les Présidents?
Na hora de fechar a conta, veio outro detalhe que pegou mal: o couvert artístico estava cobrado em dobro, com quatro unidades lançadas quando, na verdade, foram consumidas apenas duas. Após a correção, o valor final ficou em R$ 572,69, o equivalente a R$ 286,35 por pessoa. Bem mais em conta do que os R$ 655,00 por pessoa do menu fechado original, mas ainda assim um valor considerado salgado para o couvert sozinho, cobrado a R$ 41,00 por pessoa.
Considerações finais
No geral, a experiência no Les Présidents não foi tão boa comparado a outras casas do chef Jacquin, como o Steak Beef e o Ça-vá que costumam agradar mais. A combinação de expectativa alta por ser um restaurante com proposta mais premium, somado as pequenas falhas de organização no atendimento e na comunicação sobre o menu acabou pesando na avaliação final.
Os pratos individualmente tinham seus méritos, com destaque para o steak tartare, a mandioca crocante e o arroz de cogumelos, mas o rigatone e as sobremesas deixaram a desejar. Vale lembrar também que o menu pode variar conforme a data e a disponibilidade do dia, então a experiência de outra visita pode ser bem diferente desta.
Quer ver a experiência completa, com todas as reações em tempo real? Assista ao vídeo na íntegra:
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