Quando a gente ouviu falar de um restaurante japonês novo em São Paulo, comandado por um chef com passagem pelo Kinoshita e histórico de estrela Michelin, a expectativa já era alta. Quando chegamos e vimos o balcão de madeira clara com o chef preparando cada peça à vista, as poucas mesas ao redor e um cardápio cheio de ingredientes que raramente aparecem em restaurantes japoneses convencionais, a expectativa foi para outro nível.
O Fukuya, do chef Marcelo Fukuya, abriu no JK Iguatemi, na Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, na Vila Nova Conceição, e já se coloca como um dos endereços japoneses mais interessantes da cidade. Pedimos alguns pratos, e aqui está o relato honesto do que valeu e o que não era para o nosso paladar.
Veja nossa experiência completa abaixo:
O Ambiente e a Proposta
O Fukuya não foi feito para lotar. Isso fica claro assim que você entra: capacidade para aproximadamente 100 pessoas, espaço bem distribuído com uma parte de balcão onde você assiste o chef preparando as peças ao vivo, e mesas ao redor que garantem privacidade sem isolamento. A casa é bastante elegante. Tem aquele cuidado estético que chefs com formação de alta gastronomia imprimem em tudo, incluindo o detalhe de o próprio staff pedir para que você deixe sempre a decoração dos pratos voltada para a direita, porque a apresentação é pensada para ser vista de uma posição específica.
A trajetória do chef Marcelo Fukuya passa pelo Kinoshita, um dos restaurantes japoneses mais respeitados do Brasil, onde ele assumiu o balcão e consolidou uma identidade autoral. Antes disso, foi co-proprietário do Kobayashi. Com esse currículo, a abertura do Fukuya chega com credibilidade real por trás.
Cardápio: Omakase, À La Carte e as Opções Mais Acessíveis
O cardápio tem três caminhos. O omakase custa R$ 710 por pessoa e coloca inteiramente nas mãos do chef a escolha dos pratos, que chegam em sequência conforme a sazonalidade e os ingredientes do dia. Para quem quer descobrir sem decidir, é a experiência mais completa.
A gente foi pelo à la carte, que permite escolher peça a peça. O cardápio impressiona já na leitura: ostra, atum bluefin, torô, shiro maguro, enguia e molusco do Ártico aparecem entre as opções, o que posiciona a casa bem acima do que a maioria dos restaurantes japoneses convencionais da cidade tem a oferecer.
Para quem quer o Fukuya com um custo mais controlado, há duas alternativas no almoço, de segunda a sexta. O cardápio executivo começa a partir de R$ 126 e traz entrada e prato principal. O combinado executivo sai a R$ 189 para uma pessoa e R$ 279 para duas, com os itens já descritos e a vantagem de saber exatamente o que vem.
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O que Pedimos e o que Achamos
Os Ussuzukuris: Carpaccios da Casa
A gente pediu três ussuzukuris, que são os carpaccios da casa, e foi por aí que o almoço começou a mostrar do que o Fukuya é capaz.
O de polvo (R$ 120) vinha fatiado fino com pesto de shissô, castanha de caju e limão siciliano. Para quem não é fã de polvo, esse prato tem o poder de mudar de ideia: os verdinhos do shissô com a castanha criam uma combinação que equilibra o sabor mais intenso do molusco de um jeito que você não espera.
O de robalo (R$ 94) com ponzu foi exatamente o que a gente queria: o peixe branco delicado, fatiado com cuidado, com um molho ponzu que não vem apagando o sabor do ingrediente principal. Em restaurantes mais baratos, o ponzu tende a dominar o prato com acidez excessiva. Aqui, ele levanta o sabor do peixe sem escondê-lo. Desmancha na boca com um toque cítrico sutil.
O destaque dos três foi o wagyu (R$ 132) com soja desidratada por cima. A crocância da soja traz um gosto de shoyu concentrado que funciona como contraste perfeito para a gordura característica do wagyu. Nunca tínhamos provado algo do tipo e foi uma das melhores surpresas do almoço.
Futomaki de Ostra

A ostra empanada e frita chega num futomaki (R$ 74) bem montado, com uma mostarda japonesa à parte que o próprio staff avisa ser mais forte do que o wasabi convencional. A gente se arriscou provar e o resultado surpreendeu: não tem aquele gosto forte de mar que afasta quem não é fã de ostra. O empanado suaviza a intensidade e a mostarda japonesa, ao contrário do que esperávamos, deu uma levantada no sabor muito bem-vinda. Quem não gosta de ostra pode se arriscar aqui.
Ebi Spicy: O Clássico que Não Decepciona

A pipoquinha de camarão (R$ 86) um prato que a gente pede em praticamente todo japonês que tem no cardápio. Camarão empanado, sequinho, com uma maionese apimentada na medida certa. O empanado fino não sufoca o camarão e o nível de pimenta é equilibrado, sem exagero. Para quem não quer pimenta, é possível pedir sem. O ponto do camarão e a crocância do empanado estão no nível certo.
Torô e Molusco do Ártico
O atum torô (R$ 52), o corte mais nobre do atum retirado da barriga, chegou no nível que a peça merece: gorduroso no bom sentido, com aquele sabor mais intenso e profundo que explica por que os japoneses valorizam o atum acima do salmão. Desmancha na boca de um jeito que dificulta qualquer comparação com o atum cinza que aparece em rodízios convencionais. É um outro produto.
O molusco do Ártico (R$ 37) dividiu opiniões na mesa. A textura é mais firme, lembra um polvo porém mais consistente, com um leve sabor herbal que aparece no fundo. Não é ruim, mas definitivamente não é para todos os paladares. Se você é fã de texturas mais macias e que desmancham, esse pode não ser o seu pedido.
Os Pratos Quentes: Arroz Frito com opção vegana

A gente pediu o arroz frito em duas versões: uma com frutos do mar (R$ 118), que vem com camarão e mexilhão, e outra com cogumelos para a opção vegetariana. O brilho do arroz quando chegou à mesa chamou atenção antes mesmo do primeiro garfo. E a versão vegana (R$ 64) com legumes, flor de sal e cebolinha. Os legumes estavam ao dente, o sabor tinha algo defumado que provavelmente vem da chapa, e tudo estava com uma uniformidade de tempero que é difícil de conseguir até em cozinha profissional. A única ressalva foi o rabo no camarão, que a gente não curte, mas não compromete o prato.
Sobremesas: Onde a Casa Surprende de Novo
Cheesecake de tofu (R$ 46) e mousse de chocolate com farofa de missô (R$ 34). As duas fogem do óbvio. O cheesecake de tofu funcionou mesmo para quem não gosta de tofu no salgado. É suave, cremoso e não tem aquele sabor marcante que afasta. A mousse de chocolate com farofa de missô usa o salgado do missô para acentuar o chocolate, e o resultado é um equilíbrio que faz a sobremesa ser mais complexa do que parece. Ficamos com vontade de pedir de novo.
Vale a Pena?
Barato não é. Mas o Fukuya entrega o que cobra, que não é algo dado como certo em restaurantes dessa faixa de preço. Os cortes têm uma qualidade visual e de sabor que separa a casa dos japoneses convencionais. O cuidado com a apresentação vai do prato ao detalhe de como o garçom orienta o cliente na leitura do menu. O chef circula pelo salão, cumprimenta as mesas e tem interesse real em saber como cada prato foi recebido.
Para quem quer a experiência completa e sem restrição de orçamento, o omakase a R$ 710 é a escolha mais inteligente: você entrega o almoço para as mãos de um chef com currículo sólido e se surpreende a cada prato. Para quem quer conhecer o Fukuya com mais controle de gasto, o almoço executivo ou o combinado executivo são caminhos que valem muito.
Serviço
Restaurante: Fukuya
Endereço: Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 2041, Loja 02, Vila Nova Conceição, São Paulo
Opções de cardápio: Omakase (R$ 710 por pessoa), à la carte, executivo almoço (a partir de R$ 126), combinado executivo (R$ 189 por pessoa ou R$ 279 para dois)
Instagram: @fukuyarestaurante
Perguntas Frequentes sobre o Fukuya São Paulo
O que é o Fukuya em São Paulo?
O Fukuya é um restaurante japonês premium inaugurado em São Paulo pelo chef Marcelo Fukuya, com passagem pelo Kinoshita e histórico de estrela Michelin. Fica na Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 2041, no JK Iguatemi, em Vila Nova Conceição.
Quanto custa o omakase do Fukuya?
O omakase do Fukuya custa R$ 710 por pessoa. O chef escolhe e prepara todos os pratos em sequência conforme a sazonalidade e os ingredientes disponíveis no dia.
O Fukuya tem opções mais acessíveis?
Sim. No almoço, de segunda a sexta, o cardápio executivo começa a partir de R$ 126 por pessoa. O combinado executivo sai a R$ 189 para uma pessoa e R$ 279 para duas.
O Fukuya é bom para quem não é fã de ostra ou moluscos?
O futomaki de ostra do Fukuya surpreende positivamente mesmo quem não é fã: o empanado suaviza a intensidade do sabor de mar. Já o molusco do Ártico tem textura mais firme e sabor mais marcante, e pode não agradar quem prefere peças que desmancham na boca.
Precisa de reserva no Fukuya?
O restaurante tem capacidade reduzida, com espaço para no máximo 100 pessoas. Recomendamos reservar com antecedência, especialmente para jantares e fins de semana.
Fomos ao Fukuya por conta própria e todas as opiniões são nossas, baseadas na experiência real da visita.











